
A Influência da Mídia no Processo de Criminalização dos Movimentos Sociais
Leandro J. S. Salgado
O ser humano se utiliza da língua não somente pelo fato de ter escolhido viver em sociedade, mas pela necessidade que sente de comunicar-se com seus semelhantes e, em especial, de agir sobre eles de diversas formas. Sob esta perspectiva, a linguagem é concebida como forma de ação sobre o mundo, que vem imbuída, invariavelmente, de forte intencionalidade e que serve como caixa de ressonância de orientações ideológicas.
Desse modo, fica evidente que o homem, ao produzir um discurso, toma a língua não como mera veiculadora de mensagens, mas como instrumento de interação social, reafirmando-se a si próprio em simultânea forja do outro, do seu interlocutor. O próprio conhecimento tem realidade objetiva ou não vai muito além da simples opinião?
Dentro do processo de criminalização dos movimentos sociais, por exemplo, a grande mídia tem exercido com maestria seu papel de demonizar esses referidos movimentos, colocando-os contra os interesses da sociedade. Na verdade, uma ação muito bem articulada, e implementada, pelos setores conservadores num deliberado esforço no sentido de conter as lutas sociais que esses movimentos têm travado corajosamente.
Nos últimos anos temos assistido (literalmente) a um conjunto de rápidas mudanças sociais, culturais e econômicas. Essas transformações têm influência direta sobre a política e os jogos de poder nas sociedades atuais, principalmente por conta da diminuição das distâncias globais através das inovações tecnológicas. Essa evolução é intensa e veloz, mas não é para todos sem distinção, o que acaba paradoxalmente aumentando o distanciamento entre os homens.
A argumentação retórica está em todo uso estratégico de um sistema significante. Nesse contexto, o grande desafio seria, então, fazer com que estas tecnologias criassem as condições para o surgimento de novos espaços democráticos nos quais as pessoas teriam acesso a uma percepção menos deturpada da realidade, tendo criticidade suficiente para perceber com autonomia os mecanismos de controle social.
Após esta reflexão, é possível inferir-se que não há discurso neutro ou imparcial, uma vez que a linguagem não é apenas um meio de comunicação, mas é também, e principalmente, uma ferramenta de ação sobre os espíritos, em outras palavras, é essencialmente uma arma da persuasão. Os meios de comunicação de massa detém em suas mãos quase a totalidade dos recursos mais persuasivos. Só é lastimável, no entanto, que os manipulem como porta-vozes da ideologia política burguesa e como partidários da dominação imperialista, ajudando, ainda que involuntariamente em alguns casos, o Estado liberal, e democrático de direito, a disfarçar sua realidade, bem como seu papel na reprodução das relações sociais no seio do modo de produção capitalista. Que o digam os movimentos sociais criminalizados e relegados à condição do marginalismo social.
A grande mídia é um complexo emaranhado de estruturas que tem um alcance insondável, porque atinge diferentes condições humanas, moldando valores, conforme os interesses a que servem, e sobrepondo conceitos a todo o universo cultural dos seres humanos, convertendo-se, portanto, num poderosíssimo instrumento da persuasão. As inovações tecnológicas da grande mídia constituem uma poderosa arma a serviço do capitalismo global, uma vez que influenciam até mesmo na construção da subjetividade, interferindo nas buscas e projetos pessoais. Ao final de tudo, formam uma grande indústria da manipulação das consciências a mando dos interesses vigentes e em consonância com os valores do status quo.
“O ataque da direita às lutas sociais manifesta a força do movimento social brasileiro. Ao atingir os interesses dos setores privilegiados,questiona as profundas injustiças e a desigualdade e propõe medidas concretas para tornar o país melhor para todos e não apenas para uma minoria. O caráter anti-capitalista e anti-imperialista do movimento social desperta a ira da direita. Ainda mais. É o movimento social que mantém aceso no país o debate político de um projeto de Nação, algo que os partidos deixaram para trás.”
Cesar Sanson.
